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Rosane A.
A
Chamada de Maomé
Maomé nasceu em Meca (árabe, Makkah), Arábia
Saudita, por volta de 570 EC(Era Comum). Seu pai, Abdala,
morreu quando ele tinha cerca de seis anos. Naquele tempo,
os árabes praticavam uma forma de adoração
de Alá centralizada no vale de Meca, no local sagrado
da Caaba, um edifício simples em forma de cubo,
onde se reverenciava um meteorito negro. Segundo a tradição
islâmica, "a Caaba foi originalmente construída
por Adão segundo um protótipo celestial
e depois do Dilúvio reconstruída por Abraão
e Ismael. Tornou-se santuário de 360 ídolos,
um para cada dia do ano lunar. À medida que crescia,
Maomé passou a questionar as práticas religiosas
de seus dias. John Noss, em seu livro Man's Relligion
(As Religiões do Homem), declara: "[Maomé]
incomodava-se com as incessantes rixas por causa de confessos
interesses de religião e honra entre os chefes
coraicitas [Maomé era dessa tribo]. Mais forte
ainda era o seu descontentamento com os grotescos remanescentes
na religião árabe, o politeísmo e
o animismo idólatras, a imoralidade nas assembléias
e quermesses religiosas, a bebedeira, a jogatina e as
danças que estavam na moda, e sepultamento em vida
de bebês do sexo feminino indesejados, praticado
não apenas em Meca mas em toda a Arábia."
- Surata 6:137.
A chamada de Maomé para ser profeta ocorreu quando
ele beirava os 40 anos de idade. Ele costumava ir sozinho
a uma caverna próxima, chamada Gar Hira, para meditar,
e afirmou que foi numa dessas ocasiões que recebeu
a chamada para ser profeta. Diz a tradição
muçulmana que, estando lá, um anjo, mais
tarde identificado como Gabriel, ordenou-lhe que recitasse
em nome de Alá. Maomé não obedeceu,
de modo que o anjo 'agarrou-o e comprimiu-o tanto que
Maomé não pôde suportar'. Daí
o anjo repetiu a ordem. Novamente, Maomé não
reagiu, de modo que o anjo 'sufocou-o' novamente. Isto
ocorreu três vezes, depois do que Maomé começou
a recitar o que veio a ser encarado como primeira duma
série de revelações que constituem
o Qur'ãn. Segundo outra tradição,
a inspiração divina foi revelada a Maomé
em forma do soar duma campainha. - O Livro de Revelação,
de Sahih Albukhari (em inglês).
Revelação do Qur'ãn
Qual foi, supostamente, a primeira revelação
que Maomé recebeu? Os versados no islamismo em
geral concordam que foram os primeiros cinco versículos
da surata 96, intitulada Al'Alac, "O Coágulo
[de Sangue]", que reza: -"Em nome de Deus [Alá],
Clemente, Misterioso. Lê em nome de teu Senhor que
(tudo) criou; Criou o homem de um coágulo. Lê
que teu Senhor é generoso, Que ensinou o uso do
calmo Ensinou ao homem o que este não sabia."
Segundo a fonte árabe o Livro de Revelação,
Maomé respondeu: "Eu não sei ler."
Assim, ele teve de memorizar as revelações,
de modo que pudesse repeti-las e recita-las. Os árabes
eram peritos no uso da memória, e Maomé
não era exceção. -- Quanto tempo
levou para ele receber a mensagem completa do Qur'ãn?
Crê-se geralmente que as revelações
ocorreram num período de 20 a 23 anos, aproximadamente
por volta do 610 EC até a sua morte, em 632 EC.
Fontes muçulmanas explicam que, assim que recebia
cada revelação, Maomé a recitava
para quem quer que estivesse por perto. Estes, por sua
vez, memorizavam a revelação e, por recitação,
mantinham-na viva. Visto que os árabes desconheciam
a arte de fabricar papel, Maomé fez com que escribas
anotassem as revelações em primitivos materiais
então disponível, como omoplatas de camelo,
folhas de palmeira, madeira e pergaminho. Mas, foi só
depois da morte do profeta que o Qur'ãn assumiu
a sua forma atual, sob a direção dos sucessores
e companheiros de Maomé. Isto foi durante o domínio
dos primeiros três califas, ou líderes muçulmanos.
O tradutor Muhammad Pickthall escreve: "Todas as
suratas do Qur'ãn haviam sido registradas por escrito
antes da morte do Profeta, e muitos muçulmanos
haviam decorado o inteiro Qur'ãn. Mas, as suratas
escritas ficaram dispersas entre o povo; e quando numa
batalha...um grande número dos que sabiam o inteiro
Qur'ãn de cor foram mortos, foi feita uma coletânea
do inteiro Qur'ãn e assenta por escrito.
A vida islâmica é governada por três
autoridades - o Qur'ãn, a Hadith e a Xariah. Os
muçulmanos crêem que o Qur'ãn em árabe
seja a mais pura forma de devoção de revelação,
pois, como dizem, foi a língua usada por Deus ao
falar por meio de Gabriel. A surata 43:3 diz: "Que
vos temos ditado um Alcorão arábico, a fim
de que o compreendais." Assim, qualquer tradução
é encarada como apenas uma diluição
que envolve perda de pureza. De fato, alguns versados
em islamismo recusaram-se a traduzir o Qur'ãn.
Acham que "traduzir sempre é trair" e,
por conseguinte, os "muçulmanos sempre reprovaram,
e às vezes proibiram, qualquer tentativa de traduzi-lo
para outra língua".
Maomé fundou a sua nova fé enfrentando grandes
dificuldades. O povo de Meca, até mesmo de sua
própria tribo, rejeitou-o. Depois de 13 anos de
perseguições e ódio, ele transferiu
seu centro de atividades para o norte, em Iatrib, que
então passou a ser conhecido como Al-Madinah (Medina),
a cidade do profeta. Essa emigração, ou
Hégia, em 622 EC, foi um marco importante na história
islâmica, e essa data foi mais tarde adotada como
ponto de partida do calendário islâmico.*
(Assim, o ano muçulmano é dado como AH (latim,
Anno Hegirae, ano da fuga) em vez de AD (Anno Domini,
ano do Senhor) ou EC (Era Comum). Por fim, Maomé
obteve o domínio quando Meca capitulou diante dele,
em janeiro de 630 EC (8AH), e ele passou a governa-la.
Com as rédeas do controle secular e religioso nas
mãos, ele conseguiu varrer as imagens idólatras
da Caaba e estabelece-la como ponto principal de peregrinação
a Meca, que persiste até hoje. Poucas década
depois da morte de Maomé, em 632 EC, o islamismo
já se havia difundido até o Afeganistão,
e até mesmo à Tunísia, na África
do Norte. Perto do início do oitavo século,
a fé do Qur'ãn penetrara na Espanha e chegara
à fronteira francesa. Como disse o professor Ninian
Smart em seu livro Background to the Long Search (Origem
da Longa Busca): "Encarada dum ponto de vista humano,
a consecução de um profeta árabe
que viveu no sexto e no sétimo séculos depois
de Cristo é assombrosa. Humanamente, foi dele que
fluiu uma nova civilização. Mas, naturalmente,
para os muçulmanos a obra era divina, e a consecução,
de Alá."
A Morte de Maomé Causa Divisão
A morte do profeta provocou uma crise. Ele morreu sem
deixar descendentes masculinos e sem sucessor claramente
designado. Como diz Philip Hitti: "O Califado [cargo
de califa] é, pois, o mais antigo problema que
o islamismo teve de enfrentar. Ainda é uma questão
acesa...Como disse o historiador muçulmano al-Shahrastani
[1086-1153]: 'Nunca houve uma questão islâmica
que causasse mais derramamento de sangue do que o califado
(immah).'"
Como se resolveu o problema lá em 632 EC? "Abu-Bekr...foi
nomeado (8 de junho de 632) sucessor de Maomé por
meio de um tipo de eleição em que participaram
os líderes presentes na capital, al-Madinah."
- História dos Árabes. O sucessor do profeta
seria um governante, um khalifah, ou califa. Contudo,
a questão concernente a quem eram os verdadeiros
sucessores de Maomé virou motivo de divisões
nas fileiras do islamismo.
Os muçulmanos descendência sangüínea
do profeta. Assim, eles crêem que os três
primeiros califas, Abu-Bekr (sogro de Maomé), Omar
(conselheiro do profeta) e Otmã (genro do profeta),
eram os sucessores legítimos de Maomé. Essa
afirmação é contestada pelos muçulmanos
xiitas, que dizem que a verdadeira liderança vem
da linhagem sangüínea do profeta e através
de seu primo e genro Ali ibn Abi Talib, o primeiro imame
(líder e sucessor), que se casou com a filha predileta
de Maomé, Fátima. Seu casamento produziu
os netos de Maomé, Hasã e Husian. Os xiitas
afirmam também "que desde o início
Alá e Seu profeta haviam claramente nomeado Ali
como único legítimo sucessor, mas que os
três primeiros califas usurparam seu cargo de direito".
(História dos Árabes).
Naturalmente, o conceito dos muçulmanos sunitas
é outro. O que aconteceu com Ali? Durante seu domínio
como quarto califa (656-661 EC), surgiu uma rixa a respeito
de liderança entre ele e o governador da Síria,
Moávia. Envolveram-se em batalha, mas , daí,
para evitar mais derramamento de sangue muçulmano,
eles submeteram a sua disputa ao arbítrio. Ter
Ali Aceitado o arbítro????????? enfraqueceu a sua
causa e alienou muitos de seus seguidores, incluindo os
Cardjitas (Dissidentes), que se tornaram seus inimigos
mortais. No ano 661 EC, Ali foi assassinado por um cardjita
fanático, com um sabre envenenado. Os dois grupos
(sunitas e xiitas) estavam em forte desacordo. Daí,
o ramo sunita do islamismo escolheu um líder dentre
os omíadas, ricos chefes de Meca, que não
eram da família do profeta. Para os xiitas, o primogênito
de Ali, Hasã, neto do profeta, era o verdadeiro
sucessor. Contudo, ele renunciou e foi assassinado. Seu
irmão Husain tornou-se o novo imame, mas também
foi morto, por tropas omíadas, em 10 de outubro
de 680 EC. A sua morte, ou martírio, como os xiitas
a encaram, teve um significativo efeito sobre o Shiat
Ali, o partido de Ali, efeito que perdura até os
dias de hoje. Eles crêem que Ali, era o verdadeiro
sucessor de Maomé e o primeiro "imame [líder]
divinamente protegido contra o erro e o pecado".
Ali e seus sucessores foram considerados pelos xiitas
como instrutores infalíveis, tendo "o dom
divino da impecabilidade". O maior segmento dos xiitas
crê que houve apenas 12 verdadeiros imames, e que
o último destes, Maomé al-Muntazar, desapareceu
( em 878 EC) "na gruta da grande mesquita de Samarra,
sem deixar descendência". Assim, "ele
se tornou o imame 'oculto (mustair)' ou 'esperado (muntazar)'...
no devido tempo ele aparecerá como o Madi (o divinamente
guiado) para restaurar o verdadeiro islamismo, conquistar
o mundo inteiro e introduzir um breve milênio antes
do fim de todas as coisas". - História dos
Árabes.
Anualmente, os xiitas comemoram o martírio do Immame
Husain. Fazem procissões em que alguns se cortam
com facas e espadas e de outras formas se autoflagelam.
Em tempos mais recentes, os muçulmanos xiitas têm
estado freqüentemente nas notícias devido
ao seu zelo pelas causa islâmicas. Contudo, eles
representam apenas uns 20 por cento dos muçulmanos
do mundo, a maioria dos quais são muçulmanos
sunitas.
O ISLAMISMO
A palavra Islã, que significa literalmente "submissão"
e ilustra a principal idéia da religião
muçulmana: o fiel aceita submeter-se à vontade
de Deus (Alá), criador do mundo, onipotente e onisciente.
O Islã foi fundando por Maomé no século
VII da era cristã e encerra elementos do judaísmo
e do cristianismo. Os muçulmanos consideram Maomé
o último dos profetas - Adão, Abraão,
Moisés e Jesus, entre outros - e afirmam que somente
a mensagem transmitida a ele por Deus se conserva intacta,
enquanto os demais livros sacros sofreram deterioração
e mutilações ao longo do tempo. O islamismo
é estritamente monoteísta. Como Medina e
Meca, Jerusalém é uma das cidades santas
do Islã.
O islamismo não pode ser considerado apenas uma
doutrina religiosa, pois legisla, ao mesmo tempo, sobre
a vida interior, política e jurídica da
comunidade - da mesma forma que o judaísmo e o
hinduísmo. A mensagem era clara e simples. Por
meio de parábolas descritivas ameaçava os
infiéis com o dia do juízo e o fogo do inferno,
enquanto prometia aos crentes um paraíso com alegrias
terrenas.
Levado por conquistadores e mercadores árabes,
o Islã difundiu-se rapidamente por uma imensa área
geográfica, que em certa época chegou a
se estender da Índia até a Península
Ibérica. Atualmente é uma das religiões
mais difundidas no mundo.
O islamismo não tem sacerdócio nem sacramentos.
O Corão é a sua única norma. O crente
muçulmano responde por sua vida, perante Alah,
sem intermediários. Os seguidores de Maomé
estavam imbuídos do maior entusiasmo e conseguiram
impor sua doutrina em um campo de batalha político-religioso
sem igual: o da Guerra Santa do Islã.
FUNDAMENTOS DO ISLÃ: A base da doutrina
criada por Maomé e o Alcorão constituem
o fundamento sobre o qual assenta toda a estrutura islâmica.
O Alcorão, é a coletânea das versos
recitados pelo profeta, graças - segundo a tradição
muçulmana - a revelações feitas a
ele por Deus, por intermédio do anjo Gabriel. As
114 suratas(capítulos) do Alcorão expõem
os fundamentos do monoteísmo islâmico e os
princípios morais que regem a comunidade.
PILARES DO ISLÃ: As características
básicas da organização social e religiosa
que definem o Islamismo para todos os fiéis ficaram
conhecidas como os "cinco pilares" do Islã
. São eles:
· Profissão de fé: "Não
há outro Deus, senão Alá, e Maomé
é seu profeta. Essencial para ingressar na comunidade
islâmica, a profissão de fé deve ser
pronunciada clara e conscientemente.
· Oração: O segundo pilar
consiste em uma oração ritual que deve ser
proferida cinco vezes ao dia, com o rosto voltado para
Meca no seu tapete de oração, o muçulmano
reza em qualquer lugar onde se encontre, quando chega
a hora da prece.: ao amanhecer, ao meio-dia, entre as
três e cinco da manhã, antes do pôr-do-sol
e à noite. A oração realiza-se com
complicados movimentos rituais, genuflexões e repetidas
flexões com a fronte tocando o solo.
· Pagamento de dízimos: O zacar (purificação)
constitui uma esmola, que deve ser paga anualmente, em
moeda ou em mercadoria.(1/4 dos lucros)
· Jejum: Durante a ramadã (nono mês
do calendário muçulmano), está prescrito
um rigoroso jejum. Nesse período, desde o nascer
até o pôr-do-sol, é vedado comer,
beber, fumar, perfumar-se e ter relações
conjugais. Durante a noite, tudo volta a ser lícito.
· Peregrinação a Meca: Ao
menos uma vez na vida, todo o muçulmano que tiver
recursos deve peregrinar a Meca no último mês
do ano. O peregrino deve visitar a Mesquita Sagrada, rodear
sete vezes essa construção cúbica,
tocar e beijar a pedra negra de Abraão, beber a
água no poço de Zemzem, correr sete vezes
a distância entre os montes Safa e Marva, ir até
o monte Arafat e a Mina, onde os fiéis atiraram
pedras contra colunas baixas (lapidação
do diabo) e sacrificar um animal em memória de
Abraão.
A MESQUITA: É o local do serviço
divino do islamismo, onde o povo recolhe-se à oração
e ao estudo do Corão. A sala de oração
ocupa uma ala de um jardim, aberto e circundado de pórticos.
No centro do jardim encontra-se o poço da purificação,
para as abluções antes da oração.
Os minaretes, e por vezes um mausoléu, acham-se
contíguos à mesquita. No muro que dá
para Meca há um nicho, o mihrab, que indica a direção
na qual se deve rezar. Essa direção também
está indicada nos tapetes de oração.
ALCORÃO (A leitura): É o livro sagrado
dos muçulmanos que acreditam que o mesmo tenha
sido revelado por Alah a Maomé. Desde o século
IX, elaboram-se numerosos manuscritos ricamente decorados.
O Corão instrui, espiritual e materialmente o muçulmano.
Interpreta a fé, explica a história e inclui
um código penal e regras de conduta.
A TEOLOGIA E A FILOSOFIA ISLÂMICA: A teologia
e a filosofia islâmica é um esforço
de esclarecimento racional de defesa e fé. Os pensadores
muçulmanos mantém uma posição
intermediária entre os tradicionalistas, que se
prendem às expressões literais das primeiras
fontes da doutrina islâmica, e aqueles cuja razão
os levou a abandonar completamente a comunidade islâmica.
FILOSOFIA: A filosofia islâmica buscou fundamentos
nas verdades do Alcorão. Num primeiro período,
estimulados pela descoberta das obras dos autores gregos,
os filósofos deram prioridade ao estudo científico.
A tendência a harmonizar razão e fé
chegou ao auge com Avicena (século XI), que se
inspirou em Aristóteles. Graças a ele e
a outros pensadores árabes, recuperou-se grande
parte do saber clássico no Ocidente. Obscurecida
pela influência do sufismo (praticas místicas)
a partir do século XII, a filosofia ressurgiu na
Pérsia e na Turquia com a "nova sabedoria"
, que integrava elementos das escolas anteriores e preparou
o caminho para a superação da dicotomia
entre tradicionalismo e modernismo.
LEI ISLÂMICA: A Charia (literalmente o "caminho
do bebedouro", por extensão, "o caminho
que conduz Deus), ou lei Islâmica, é expressão
da vontade de Alá, a que fiéis se entregam
com total submissão. Difere do lado ocidental em
dois aspectos fundamentais: em primeiro lugar, o campo
de aplicação da lei islâmica estende-se
não só às relações
entre os indivíduos e a sociedade, como também
às obrigações religiosas; em segundo
lugar, a lei islâmica considera a expressão
completa e acabada da vontade divina, à qual os
homens se devem render em qualquer circunstância.
As leis ocidentais formam-se progressivamente segundo
as exigências dos novos problemas surgidos na convivência
social.
CRENÇAS: Além da devoção
a um Deus único, os princípios Islã
assentam na crença nos quatro anjos - Gabriel,
Miguel, Azrael e Izrafel - que lutam contra demônios,
sustentam o trono de Deus e intercedem junto dele pelos
mordais, e nos djins, os gênios do mal, cujo chefe
é Iblis, o diabo. Após a morte, a alma é
interrogada por dois anjos sobre a sua fé; se as
suas respostas são satisfatórias é
levada para o al-Berzahk (a passagem), onde espera pela
ressurreição final. Caso contrário
é açoitada com varas de ferro como castigo.
Só os mártires têm acesso direto ao
paraíso, que é concebido em termos muito
materiais, como um lugar de intenso prazer dos sentidos.
AS SEITAS: O Islamismo dividiu-se em várias
seitas: os kharijitas, ortodoxos radicais; os matajalitas,
também chamados livres-pensadores; e os murjitas,
uma seita que pregava a peregrinação. Mas
a divisão principal é dos xiitas e dos sunitas,
sendo que as suas divergências prendem-se principalmente
com questões cerimoniais, detalhes com a legislação
e de datas de festas religiosas. Os xiitas predominam
no Irã e no Iémen, enquanto que o resto
do mundo é sunita. Outra seita importante é
a dos sufistas, místicos que produziram várias
ordens de devixes.
Islamismo - O caminho a Deus por meio da Submissão
"Em nome de Alá, Clemente, Misericordioso."
Esta frase traduz o texto árabe acima, do Qur'ãn
(Alcorão). E continua: "Louvado seja Deus,
Senhor do Universo, Clemente, Misericordioso. Soberano
do Dia do Juízo. Só a Ti adoramos e só
a Ti imploramos ajuda! Guia-nos à senda reta, À
senda dos que agraciaste, não à dos abominados
nem à dos extraviados." - Qur'ãn, surata
1:1-7. Qur'ãn é a grafia preferida por escritores
muçulmanos.
Tais palavras formam a Alfátiha (A Abertura), o
primeiro capítulo, ou surata, do livro sagrado
dos muçulmanos, o Sagrado Qur'ãn, Corão
ou Alcorão. Visto que mais de uma de cada seis
pessoas no mundo é muçulmana, e considerando
que os muçulmanos devotos repetem esses versículos
pelo menos cinco vezes em suas orações diárias,
estas devem estar entre as palavras mais recitadas na
terra.
Os muçulmanos crêem que a sua fé é
a culminação das revelações
dadas aos fiéis hebreus e cristãos do passado.
Contudo, seus ensinamentos divergem da Bíblia em
alguns pontos, embora citem tanto das Escrituras Hebraicas
como das Gregas no Qur'ãn. Os muçulmanos
crêem que a Bíblia contém revelações
de Deus, mas que algumas foram posteriormente falsificadas
A vida islâmica é governada por três
autoridades: o Qur'ãn, a Hadith e a Xariah. O Hadith,
ou Sunna, "os atos, as declarações
e a aprovação tácita (taqrir) do
Profeta...fixados durante o segundo século na forma
de hadiths escritos. Um hadith é um registro de
uma ação ou de dizeres do Profeta".
Pode também ser aplicado às ações
ou aos dizeres de qualquer dos companheiros de Maomé
e sucessores destes. Num hadith apenas o sentido é
encarado como inspirado. - História dos árabes.
A Xariah, ou lei canônica, baseada em princípios
do Qur'ãn, regula toda a vida do muçulmano,
em sentido religioso, político e social. "Todos
os atos do homem são classificados em cinco categorias
legais:
1ª - O que é considerado dever absoluto (fard)
envolvendo recompensa por agir ou punição
por deixar de agir.
2ª - Ações elogiáveis ou louváveis
(mustahabb), envolvendo recompensa, mas não punição
por omissão.
3ª - Ações permissíveis (jaiz,
mubah), que são legalmente indiferentes.
4ª - Ações repreensíveis (makrub),
que são desaprovadas, mas não puníveis.
5ª - Ações proibidas (haram), cuja
prática exige punição." - História
dos Árabes
Os muçulmanos creêm que o Qur'ãn em
árabe seja a mais pura forma de revelação,
pois, como dizem, foi a língua usada por Deus ao
falar por meio de Gabriel. A surata 43:3 diz: "Que
vos temos ditado um Alcorão arábico, afim
de que o compreendais." Assim, qualquer tradução
é encarada como apenas uma diluição
que envolve perda de pureza. De fato, alguns versados
em islamismo recusam-se a traduzir o Qur'ãn. Acham
que "traduzir sempre é trair" e, por
conseguinte, os "muçulmanos sempre reprovaram,
e às vezes proibiram, qualquer tentativa de traduzi-lo
para outra língua", diz o dr. J. A Williams,
preletor de história islâmica.
Alma, ressurreição, paraíso e inferno
de fogo
O islamismo ensina que o homem tem uma alma que sobrevive
para uma vida futura. O Qur'ãn diz: "Deus
(Alá) recolhe as almas no momento da morte e, os
que não morrem, ainda, (recolhe) durante o sono.
Ele retém aqueles cuja morte tem decretada."
(Surata 39:42) Ao mesmo tempo, a surata 75 é inteiramente
devotada à Alquiáma ou Ressurreição"
ou "Levantamento dos Mortos". Ela diz em parte:
"Pelo dia da ressurreição...por ventura,
crê o homem que jamais reuniremos seus ossos?...Perguntam:
Quando acontecerá o dia da ressurreição?
Não será Alá capaz de ressuscitar
os mortos? - Surata 75:1,3,6,40.
Segundo o Qur'ãn, a alma pode Ter diferentes destinos,
que pode ser um jardim celestial paradisíaco ou
a punição num inferno ardente. Como diz
o Qur'ãn: "Perguntam: Quando chegará
o Dia do Juízo Final? Será o dia em que
forem torturados no fogo! Ser-lhe-á dito: Sofrei
a vossa tortura! Eis aqui o que pretendestes urgir!"
(Surata 51:12-14) "Sofrerão [os pecadores]
um castigo na vida terrena; porém, o do outro mundo
será mais severo ainda e não terão
defensor algum ante Deus [Alá]. (Surata 13:34)
Pergunta-se: "E que é que te fará entender
isso? É o fogo ardente!" (Surata 101:10, 11)
Esse pavoroso destino é o descrito em detalhes:
"Quanto àqueles que negam Nossos versículos,
introduzi-los-emos no fogo infernal. Cada vez que sua
pele se tiver queimado, trocá-la-emos por outro,
para que experimentem mais e mais o suplício. Sabei
que Deus [Alá] é Poderoso, Prudentíssimo.
" (Surata 4:56) Outra descrição declara:
"Em verdade, o inferno será uma emboscada...onde
permanecerão séculos, até milênios,
em que não provarão do frescor nem de (qualquer)
bebida, a não ser água fervente e uma paralisante
beberagem." - Surata 78:21, 23-25.
Os muçulmanos crêem que a alma dos falecidos
vai para o Barzakh, ou "Barreira", "o lugar
ou estado em que as pessoas estarão após
a morte e antes do Julgamento". (Surata 23:99, 100,
AYA, nota) A alma está cônscia ali, sofrendo
o que se chama de "Punição do Túmulo"
se a pessoa foi má, ou desfrutando a felicidade,
se foi fiel. Mas, os fiéis também têm
de sofrer algum tormento por causa de seus poucos pecados
enquanto estavam vivos. No dia de juízo, cada qual
encara seu destino eterno, que finda aquele estado intermediário.
Em contraste, aos justos se promete jardins celestiais
paradisíacos: "Quanto aos crentes que praticam
o bem, introduzi-los-emos em jardins abaixo dos quais
correm rios, em que morarão eternamente."
(Surata 4:57) "Naquele dia os moradores do Paraíso
em nada pensarão a não ser na sua felicidade.
Junto com suas esposas, reclinar-se-ão sob arvoredos
sombreados em sofás macios." (Surata 36:55,
56, NJD) "Antes disso Nós escrevemos nos Salmos,
depois da Mensagem (dada a Moisés): 'Meus servos,
os justos, herdarão a terra.' " A nota sobre
essa surata remete o leitor para o Salmo 25:13 e 37:11,
29 e às palavras de Jesus em Mateus 5:5. (Surata
21:105, AYA) A menção de esposas leva-nos
agora à outra pergunta.
Monogamia ou poligamia?
É a poligamia a regra entre os muçulmanos?
Embora o Qur'ãn permita a poligamia, muitos muçulmanos
têm apenas uma esposa. Devido à numerosas
viúvas resultantes de custosas batalhas, o Qur'ãn
fez concessão para poligamia: "Se temerdes
ser injustos para com as órfãs, podereis
desposar duas, três, ou quatro das que vos aprouver
entre outras mulheres. Mas, se termerdes não poder
ser equitativos para com estas, casai, então, com
uma só, ou conformai-vos com o que está
ao alcance de vossas mãos." (Surata 4:3) Uma
biografia de Maomé, feita por Ibn-Hi-sham, diz
que Maomé casou-se com uma viúva rica, Cadidja,
15 anos mais velha do que ele. Depois que ela morreu,
Maomé casou-se com muitas mulheres. Ao morrer,
deixou nove viúvas.
Outra forma de casamento no islamismo é chamada
de mutah. É definido como "contrato especial
celebrado entre um homem e uma mulher através da
oferta e aceitação de casamento por um período
limitado e com dote especificado, semelhante ao contrato
para casamento permanente". (Islamuna, de Mustafá
al-Rafafii, em inglês) Os suniras chamam-no de casamento
por prazer, e os xiitas, um casamento a ser encerrado
num período específico. Diz a mesma fonte:
"Os filhos [de tais casamentos] são legítimos
e têm os mesmos direitos que os filhos de um casamento
permanente." Parece que essa forma de casamento permanente."
Parece que essa forma de casamento temporário era
praticada nos dias de Maomé, e ele permitiu que
continuasse. Os sunitas insistem que foi proibida mais
tarde, ao passo que os imamis, o maior grupo xiita, crê
que ainda vigora. Muitos, efetivamente, o praticam, em
especial quando um homem se ausenta de sua esposa por
um longo período.
O islamismo e a vida diária
O islamismo envolve cinco principais obrigações
e cinco crenças básicas. Uma das obrigações
é que os muçulmanos devotos orem (salat)
cinco vezes por dia, voltados para Meca. No Sábado
muçulmano (Sexta-feira), os homens afluem à
mesquita para oração ao ouvirem o chamado
do muezim, do alto do minarete da mesquita. Hoje em dia,
muitas mesquitas tocam uma gravação, em
vez de fazerem uma chamada de viva voz.
Mesquita (masjid, em árabe) é o local de
adoração dos muçulmanos, chamado
pelo Rei Fahd Bin Abdul Aziz, da Arábia Saudita,
de "pedra fundamental para invocar a Deus".
Definiu a mesquita como "local de oração,
estudo, atividades legais e judiciais, consultas, pregação,
orientação, educação e preparação...
A mesquita é o coração da sociedade
muçulmana". Esses locais de adoração
se encontram agora em todo o mundo. Um dos mais famosos
na história é a Mezquita (Mesquita) de Córdoba,
Espanha, que por séculos era a maior do mundo.
A sua parte central é agora ocupada por uma catedral
católica.
O Calendário Islâmico
O calendário islâmico inicia-se com a partida
do Profeta para Medina em 622 EC (Era Comum). Cada mês
dura de uma lua nova até a seguinte, tornando o
ano islâmico 10 ou 11 dias mais curto do que o calendário
gregoriano.
O calendário apresenta doze meses. São eles:
Muharam, Safar, Jumadulaual, Jumadulthani, Rabiulaual,
Rabiuthani, Rajab, Shaaban, Ramadan, Shaual, Zulqaídah,
Zulhijah