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Auto-Aperfeiçoamento

"Para a alma que vem do céu; o nascimento é uma Morte".
(Eurípedes)


   A "roda do mundo" começa pela emanação da "xispa" divina que separa-se da divina mônada e começa o seu périplo cósmico.
   Neste périplo a "xispa" tem de passar por todas as experiências necessárias ao seu aperfeiçoamento ético e moral para voltar à sua origem divina o que é certo que ocorrerá, apenas não sabemos quando.
   O Talmud - livro sagrado dos israelenses - afirma que são necessárias 614 vivências para a "xispa" voltar à sua origem.
    O espiritismo afirma que o espírito precisa de tantas re-encarnações quantas necessárias ao seu aperfeiçoamento espiritual.
    E é interessante notar que o Esoterismo afirma que Aqueles que construíram este planeta e a vida aqui existente já voltaram aos seus lugares de origem, porque alcançaram a perfeição neste nível planetário já ao final da 3ª raça raiz; ocasião em que houve a chegada dos denominados retardatários.
   A causa e necessidade do auto-aperfeiçoamento se dá pela queda ou separatividade da "xispa" da sua divina mônada que ao cair na dualidade da matéria depara-se com toda a problemática existencial que se constitui no vir a ser.

PIETRO UBALDI (em o Cristo) traça um paralelo muito apropriado entre o SISTEMA e o ANTI SISTEMA.

   O Sistema é a criação em seu estado de origem. É a harmonia perfeita (amor e sabedoria). É o estado de puro espírito. Deus enquanto ideação abstrata é puro pensamento, pura ação e pura realização que corresponde aos 3 aspectos do todo:

a) espírito (concepção);
b) Pai (verbo ou ação);
c) Filho , o ser criado.

   Sendo assim, Deus realizou a sua criação que é perfeita; e isto ficou impres so na criação porque Dele se originou à sua imagem e semelhança. Somos todos Filhos do Pai. Por isto Cristo sempre se referia ao Pai no sentido da unidade e identidade e quando falava do regresso era neste sentido; porque os Espíritos do Sistema (S) são sempre Deus mesmo quando investido no 3º modo de ser: o de Filho.
   Então, nós - os Filhos - vimos do Sistema e estamos imersos no Anti Sistema e aqui estamos devido a Revolta de uma parte do S (Sistema) e do seu conseqüente desmoronamento. Aí nasceu o ciclo involutivo-evolutivo cuja primeira parte representa a descida do espírito na forma de matéria; e a segunda parte a evolução representa o retorno ascensional da matéria ao espírito que é o regresso à Casa Paterna. Aí nasce o relativismo e o seu transformismo que lhe é imanente. Aí nasce o dualismo. A unidade se bifurca em dualismo. É neste dualismo da matéria que estamos imersos e constitui a nossa realidade.
   Estamos, portanto, inseridos no Anti Sistema com liberdade relativa para procedermos à re-educação ética e moral e conseqüente ASCENSÃO à origem: O PAI. Por isto temos de enfrentar a ignorância , a desordem, o erro, o mal, a dor, a revolta, a morte e todas as outras negatividades que são a nossa realidade do Anti-Sistema.

Diante desta realidade limitante que é a matéria e o dualismo como faremos o retorno?
   Só há um caminho: é o programa da cruz ou o caminho da dor.
Somente com esforço e renúncia, vencendo-se a nós mesmos e ao peso da matéria é que retornaremos à nossa origem.
   A primeira dificuldade a ser enfrentada é a da ignorância, pois, ainda não entendemos a importância do esforço e da renúncia. Detestamos o caminho do superamento que é incomensuravelmente mais estreito. Enxergamos de forma imediatista, enquanto a via do superamento é para o futuro e parece longínqua e temos de padecer a "fadiga da evolução" para alcança-la. A filosofia da Cruz não é para qualquer um. Quanto mais nos elevamos nos planos da evolução, tanto mais percebemos que as leis que ali vigoram são diferenciadas das do nosso plano.
   E assim se adquire consciência que agindo de acordo com estas leis amigas e justas se alcança resultados definitivos. Ex. Num regime de justiça os assaltantes e vencedores contraem um débito a pagar, enquanto os derrotados sabem que estão pagando suas dívidas. Enquanto se está no reino da Justiça perdem os prepotentes e vencem os justos.

   A redenção através da evolução significa o pagamento à Justiça da Lei por meio da dor que é reservada a função purificadora dos nossos contínuos erros dos quais é necessário libertar-nos para ascender. A dor é, então, um instrumento de redenção, i.é., um mal que é utilizado como meio de salvação.

   "O símbolo da cruz é, naturalmente, um símbolo universal muito anterior à era cristã. Encontramos a concepção de que no "início dos tempos" - i.é., da manifestação - o Logos se imprimiu na criação sob a forma de uma cruz, o modelo de toda a manifestação, reproduzindo em todos os níveis. Portanto, o símbolo implica, se observarmos bastante profundamente que nossos esforços são esforços divinos não reconhecidos como tais. Ou talvez mais corretamente, a cruz é um símbolo do sacrifício mútuo do espírito e da matéria para se tornarem UM. Ela não é, em seu significado mais profundo, um símbolo de morte, nem mesmo de morte como sacrifício, mas de união dos opostos. Deus e o homem numa auto-entrega mútua e simultânea. Em todo tipo de cruz que se conhece há um ponto em que os eixos vertical e horizontal se tornam indistinguíveis - onde eles não são mais, de modo algum opostos, cada um "perdendo-se no outro. Esse ponto se localiza no próprio coração da cruz. É isso que faz do símbolo uma cruz e não alguma outra figura. É isso que faz da cruz um triunfo e não uma graça. A cruz é o modelo de toda vida e o segredo interior da redenção. Em virtude dele, a graça é uma realiddade". (Karma a Lei Universal da Harmonia, Virgínia Hansen e Rosamarie Stewart, pág. 174, E. Pensamento).

Como funciona a técnica da redenção?

   A técnica utilizada é a do erro. Somente errando é que apreendemos. Os antigos diziam: "errando, discitur". Precisamos errar ou cair muitas vezes para que possamos apreender o caminho da luz.
    Tudo avança por graus. Ao final de cada fase, de cada esforço de separação é alcançado um estado mais avançado de iluminação. Só depois de ter percorrido um dado trajeto, compreende-se o que se conquistou. Somente quando se abandonou a zona da negatividade e se ingressa na zona da positividade é que tudo é percebido com clareza.
    A redenção não é instantânea, nem global, nem indiscriminada; mas, lenta, parcial, gradual e específica.
    Este é o método.
    Ela se exprime com fatos e nos corrige, bloqueando-nos e golpeando-nos nos pontos fracos.
    Ela se faz compreender fazendo-nos sofrer, i.é., fechando-nos as portas à livre expansão das qualidades inferiores e, simultaneamente, abrindo-nos as portas à expansão das qualidades superiores. Sufoca na parte baixa e expande na parte alta.
    O esforço da evolução consiste nisto, em corrigir esta trajetória, imprimindo outra direção.

Como esta técnica realiza tal correção?

   Ela é automática e fatal. O bem e o mal que se abatem sobre nós, dependem da estrutura de nossa personalidade. E é assim porque tudo está e depende de nosso interior. Ex. Se a personalidade do indivíduo for constituída de forças negativas a sua ação será destrutiva; se for positiva sua ação será construtiva.
    É assim é que sempre acabamos por construir ao redor de nós um ambiente semelhante à nossa natureza.
    A raiz do mal ou do bem está dentro de nós; trazendo cada qual o seu destino dentro de si, em seu DNA (natureza) espiritual.
    Mas que é mais importante ressaltar que esta técnica não é para nos punir por sermos errados. Ela serve para possibilitar a cada um cursar a sua escola e receber a lição que lhe cabe e que é necessária na sua evolução. Cada um realiza as experiências que lhe serão úteis na sua evolução: o santo como santo e o delinqüente como delinqüente.
    É assim que a LEI trabalha. Através de provas corretivas, quando se tenha alcançado o endireitamento de uma trajetória errada, naquele campo de forças a fadiga da evolução cessa e o resultado fica definitivamente adquirido.
   Aí, então, o trabalho recomeça noutro setor de forças atrasadas.
   Nesta técnica evolutiva outro instrumento de trabalho é o ERRO. A Lei nos convida a errar porque o errar serve para apreender , para corrigir-se e superar-se e, finalmente, salvar-se. É isto o que a Lei quer. É através do erro que somos conduzidos à luz. Chega-se, assim, ao choque com a realidade que atravessamos.
    É nisso que consiste a técnica da redenção: quando tivermos corrigido - por dolorosa experiência - de um dado defeito, filho da ignorância, num determinado campo e, dentro dos limites deste; aquela ignorância tiver desaparecido, passa-se, então, a errar em outro setor da vida no qual somos, ainda, ignorantes. Quando tivermos quitado este novo débito, acabamos por nos redimirmos de novo; e assim, sucessivamente, até que tenhamos vasculhado toda a nossa personalidade e corrigidas todas as qualidades negativas.
    Deste modo chegar-se-á à última crucificação, quando voltarmos redimidos à Origem.

Como se opera em nossa mente o processo?


    Tentemos demonstrar, agora, como ocorre em nossa mente o processo da evolução.
    O desejo nada mais é do que a vontade, quando aparece no plano astral em sua descida pelos diversos planos descensionais. O Desejo é a vontade destronada, o escravo da matéria. Ela já não mais se governa, mas é determinada pelas atrações existentes ao redor. Nesta linha, o desejo é a vontade revestida de matéria astral, a qual provoca o aparecimento das sensações. Sua função precípua é gerar impulsos motores, rodeada de matéria apta a despertar sensações. Na natureza superior, a vontade é a energia propulsora; na natureza inferior esta função cabe ao Desejo. Quanto menos evoluído o ser, mais grosseiros os seus Desejos; por isto que a mente em estágios primitivos é escrava dos seus desejos. Desta forma é que se pode aquilatar o grau de evolução de cada indivíduo pela capacidade de sua vontade ou desejo. É, portanto, verdadeiro o dito popular que diz: "quanto maior o pecador, maior o santo". Os medíocres não são, nem muito bons, nem muito maus; neles só se abrigam virtudes acanhadas e vícios miúdos.
    O poder do Desejo num homem é a medida da sua capacidade evolutiva, da energia motora com a qual esse homem avança no caminho da evolução.
    Por isto, ninguém deve sentir-se desanimado pela ebulição dos Desejos que carrega consigo - não mais do que o domador pelos corcoveios do cavalo bravo. A rebeldia do animal é o prenúncio da existência das suas qualidades futuras. Ao contrário, o problema maior é quando os Desejos são fracos, inssosos e marasmáticos.
    Os centros sensoriais estão no corpo astral e suas reações aos contatos despertam sensações de prazer e dor na consciência. O prazer é uma sensação de mais vida, ao passo que a dor se caracteriza por um apoucamento da vida.
    O surgimento do prazer na consciência traz ínsito uma seqüela inevitável que é a sensação da dissipação do prazer, a qual gera a lembrança ou o apetite por aquele prazer; que por sua vez desencadeia a busca da continuidade deste prazer. É isto um mecanismo de atração. Já a dor é o oposto e funciona como freio ao prazer.
   A dor surge em razão de que o corpo físico é um instrumento não muito eficiente para a vida que desce do astral, e esse impasse gera dor que é a sensação desagradável diante daquele vivência. Este movimento de fuga é o fenômeno da repulsão.
   O Desejo, então traz ínsito o caráter gemelar - o prazer e a dor são filhos gêmeos da mesmo fenômeno. Da vontade de viver advém o gosto da experiência; mas no veículo inferior esta vontade surge como Desejo que torna-se ânsia de experiências que enriqueçam, ainda mais, a sensação vital e, por oposto, fuga de tudo quanto enfraqueça e deprima esta experiência de vida. Assim é que a atração e a repulsão estão no âmago da natureza do Desejo. E assim, o homem vai vivendo com alguns momentos de atração e repulsão, movimento este que são as forças motrizes da vida.
    Procuremos entender bem a natureza intrínseca do fenômeno. Experimentado o prazer, naturalmente, surge o Desejo de gozá-lo, novamente; e isto implica no seu "salvamento" (mesmo sentido utilizado em informática) que é a memória - função precípua da mente. Toda sensação provocada por um impacto externo precisa ser despertada várias vezes até que a mente estabeleça a relação entre ela e o objeto que a originou. Ao final, deste "iter" a mente percebeu o objeto e relaciona-o com a alteração vinda de fora. A repetição desta percepção criará um vínculo definitivo na memória, entre o objeto e a sensação agradável ou dolorosa provocada. Esta maneira de movimentar-se do Desejo é que impele a mente ao exercício de sua atividade específica. Ela se esforça para fugir ao desconforto provocado pela ânsia insatisfeita, fornecendo o objeto desejado. De um lado, a mente planeja e põe o corpo em ação para atender às ânsias do Desejo; e de outro, pressionada pelo Desejo planeja e põe o corpo em ação para escapar às seqüelas funestas da dor ou do objeto provocador de sofrimento.
   
No entanto, o Desejo gera apenas movimento caótico. A força do Desejo apenas propele e não dirige. É o pensamento que governa.
    O Desejo, o Pensamento e a Ação criam um círculo vicioso na consciência. A força propulsora do Desejo desperta o pensamento; a força diretiva do pensamento molda a ação. É sempre assim; e torna-se necessário entender bem isto para que nos tornemos "governadores" de nossa conduta, porque é assim que poderemos captar as ações evitáveis e as inevitáveis.
    O Desejo pode ser alterado pelo Pensamento e, consequentemente, a ação decorrente. Quando a mente percebe que alguns Desejos levaram a pensamentos desencadeadores de conseqüências dolorosas; o homem consciente prepara-se para resistir àqueles Desejos e recusa-se a orientar as suas ações a um resultado previsivelmente desastroso. Nestas circunstâncias tem ele de evocar a energia repelente do Desejo e, agir inversamente, quando tratar-se de Desejos contrários. A atividade pensadora deve moldar o Desejo. Só assim o homem deixará de ser escravo para tornar-se "governador" dos seus Desejos. Logrando alcançar este desiderato o homem assume o controle sobre o seu rebelde companheiro e dá início à transmutação de sua vida.
    Para que o pensamento saia vitorioso sobre o Desejo torna-se necessário romper o círculo vicioso antes mencionado. Da contenda inevitável que se alojará na consciência é que deve nascer a solução. Temos, então, que ora o indivíduo é impelido pelo Desejo e, ora, é puxado pelo Pensamento. Muitas vezes o Desejo vencerá e ter-se-á as conseqüências segundo a natureza do objeto apropriado,i.é., prazer ou dor. Porém, pouco a pouco, o Pensamento vai se impondo até que a vitória vai tornando-se perceptível e os Desejos vão se apequenando diante da vontade determinada.
    Neste conflito o Pensamento pode lançar mão de objetos que ofereçam recompensas duráveis contra resultados efêmeros dos Desejos, i.é., o pensamento socorrendo-se da força do próprio Desejo. Faz isto selecionando objetos que ofereçam recompensas mais gratificantes contra os Desejos que não tardam a se mostrarem mais fracos. Oporá os prazeres artísticos aos sensuais; as recompensas sociais contra os gozos da carne; estimulará o gosto do bem para fortalecer a abstenção do vício e, por fim, num estágio evolutivo maior fará com que o anseio da paz eterna prevaleça sobre a fruição transitória em que está embretado. Finalmente, a própria energia do Desejo afastará o que causa dor, dirigindo ao que evoca prazer. A força que causa a dor é o motivo de libertação.
    Aí o Ser humano já começa a vislumbrar a força de uma devoção sublime, voltando-se para o Supremo.
    O hábito de se apossar e de desfrutar gerou-se no ser humano, eras após eras, talvez por necessidade de sobrevivência por isto é um móvel poderoso; ao passo que evitar uma dor futura, ainda, é uma situação que precisa consolidar-se - é pois fraco. Aí está a causa de nossos fracassos. A mente jovem e inexperiente vê-se a todo instante derrotada. Mas a cada vitória do "inimigo na trincheira" - o Desejo - sempre seguido de um prazer fugaz e de um sofrimento demorado engendra no lutador a força de que precisa para vencê-lo. Toda derrota do Pensador lança a semente da vitória futura. A sua força cresce com a experiência, enquanto a sua natureza-Desejo vai se esgotando.
    A partir daí, então, já não mais nos desanimam os nossos insucessos, pois entendemos que eles estão na raiz da vitória próxima: "o ventre da dor, engendra o vencedor".
    Assim, é também, que o ser civilizado vai ligando o que é certo e o que é errado; pois, aprendeu que o "errado" está ligado a algum tipo de sofrimento e o "certo" a algum tipo de prazer.
    Aqui o Ser humano já está capacitado a entender o valor de uma advertência, de uma reprovação e de um "bom conselho", pois as lembranças boas e as ruins ficam "salvadas" na memória. Se, no entanto, a pessoa advertida cede, novamente, à tentação, isto significa que ainda não entendeu o mecanismo do Desejo mau e a dor aparecerá para lembrá-lo do que é "errado". E se a dor antiga não é suficiente para mudar o curso das vivências, significa que a lição deve ser repetida muitas vezes até que o Pensador vença. Por isto é verdadeiro o lamento bíblico: "o que quero não faço; só faço o que não quero".
    Nesta luta íntima travada pelo Pensador, deve ele evocar um Desejo mais sublime do que aquele contra o qual luta. Daí o valor de um Ideal. É talvez o meio mais eficaz de dobrar o Desejo. Deve-se criar o Ideal quando a mente está serena e clara, quando a Natureza-Desejo dorme. Aí o Pensador analisará os propósitos de sua vida, o alvo que apetece e com estes objetivos em mente selecionará as qualidades que o habilitarão a atingir os seus objetivos. É claro que estes conceitos deverão ser integrados da maneira mais vigorosa possível. Diariamente, repetirá o processo até que o Ideal surja como objetivo bem delineado. Já diziam os sábios antigos: "repetita juvant".
    E aí quando a tentação o assaltar e os desejos funestos clamarem por satisfação o poder fascinante do Ideal se afirmará; os Desejos nobres combaterão os vis e o Pensador se verá fortalecido pela força negativa da memória que bradará: "Abstém-te do que não presta", coadjuvada pela positiva que acrescentará: "Empreende o que é heróico".
    O homem que vive na presença de um grande Ideal tem a opor aos Desejos perversos o amor daquilo que idealizou, a vergonha de não corresponder a ele, a ânsia de emulá-lo.
    Tudo isto nos faz pensar na lição deixada pelo MESTRE da alma humana: "Orai e vigiai".

A ESPIRITUALIZAÇÃO

a. A BUSCA

   O caminho da espiritualização encontramos em todas as vertentes e tradições religiosas e filosóficas conhecidas. Todas elas ensinam a mesma coisa: o caminho do progresso espiritual vem de dentro e não de fora. Poderíamos buscar ensinamentos sobre esta verdade em qualquer tradição religiosa. Fomos busca-la em ORPHEU, iniciador da tradição religiosa grega, muito pouco conhecida entre nós, apenas para demonstrar que as verdades surgem e proliferam em qualquer parte do globo, assim como entre qualquer segmento da humanidade. Vamos, então, buscar no conhecimento grego antigo um destes ensinamentos básicos.
    ORPHEU ensinava:
    "Recolhe-te ao fundo de ti mesmo para te voltares ao Princípio de todas as coisas, à grande Tríade que reluz no éter imaculado. Consome teu corpo pelo fogo do teu pensamento; desliga-te da matéria como a chama se desliga da madeira que ela devora. Então, teu espírito se projetará até o puro éter das causas eternas, como a águia ao Trono de Júpiter" (Os Grandes Iniciados, Edouard Schurré, pág. 189).
    ALDOUS HUXLEY dizia:
    "Só podes mudar a ti mesmo, pois o Universo está feito de forma perfeita e harmônica." Nada conseguirás alterar nele; no entanto, terás um outro universo dentro de ti a trabalhar de forma intensa e incansável se quiseres crescer na espiritualidade. Deverás lapidá-lo, qual jóia rara, com todo o interesse e dedicação. Esta é a grande tarefa de cada um de nós. E quando resolvemos a encetar este caminho "da porta estreita" nós passamos, necessariamente, pelo "caos".
    HELENA BLAWASTKY ensina:
    "Há no ocultismo uma estranha lei que tem sido confirmada e comprovada pela experiência de milhares de anos e que nunca falhou em quase todos os casos desde a fundação da Sociedade Teosófica. Sempre que alguém presta o juramento de "aprendiz" ou discípulo "em prova" certos efeitos ocultos desde logo aparecem, o primeiro dos quais é o abrolhar de tudo o que está latente na natureza do homem: defeitos, hábitos, qualidades e desejos reprimidos, sejam bons, maus ou indiferentes.
    Por exemplo, se um homem é fútil, sensual ou ambicioso, por atavismo ou por herança kármica, é certo irromperem todos estes vícios, ainda, quando os tenha liberado ou represado, até então. Eles se manifestarão inapelavelmente, e o homem terá que lutar cem vezes mais do que antes para poder dominar essas tendências.
    Pelo contrário, se é bom, generoso, casto e sábio ou possui alguma virtude oculta latente, todas essas qualidades se exteriorizarão de modo igualmente irresistível. Assim o homem civilizado a quem repugna ser considerado santo, assumindo por isso uma atitude não condizente com sua própria natureza, não poderá faze-lo por mais tempo quer sejam vis ou nobres as suas intenções.

    ESTA É UMA LEI IMUTÁVEL NOS DOMÍNIOS DO OCULTO".
    Sempre que começamos esta busca passamos pelo desmoronamento de tudo que era antigo para que o "novo" surja. Alguns chamam este processo de "noite negra"; outros de "provas".
    O mestre de Assis já ensinava: "...é morrendo que se vive para a vida eterna".
    É o período de nossa vida em que temos de ir ao deserto de nossa alma para experimentar a re-harmonização. É preciso destruir para reconstruir.

b. A UNIDADE

   E um dia,quando tivermos passado por todas as experiências neces sárias à elevação moral - que é a única que conta - retornaremos à CASA DO PAI.
    Pode ser expresso pela admoestação bíblica:
    "Quando eu era criança, pensava como criança; agora que sou adulto penso como adulto......".
    É necessário que o EGO passe por todas as "crucificações" indispensáveis a esta elevação. Todas elas implicam em superamento sobre si próprio; força que encontramos dentro de nós, quando nos religamos à nossa divina Mônada, através do desejo e da prece sincera, espontânea e fervorosa. Quando buscamos o auxílio indispensável em nossos guias e protetores, porque este caminho é impossível de ser trilhado só, pois nossa natureza involuída e emborcada não nos permite tal. A ajuda Superior é indispensável e quanto antes nos orientarmos a ela, mais depressa será a descoberta.
    O objetivo final é fazer a vontade do Pai; seremos um com o Pai.
    Quando aí chegarmos teremos cumprido nossa tarefa indeclinável de retorno e elevação e estaremos prontos na síntese cósmica: seremos um com o Pai. Mas só chegaremos a este ponto, quando tivermos realizado em nós a síntese relígio-científica que pode ser representada da seguinte forma:

PONTO é a unidade = nº 1
A LINHA necessita de 2 pontos . ___________________ . = nº2
ÂNGULO: São 3 pontos não co-liniares que não ____ era mesma linha. = nº 3
QUADRADO: São 2 ângulos de 4 pontos 2 a 2 não coincidentes, mas paralelos = nº4 1+2+3+4=10

Qual a síntese dos quatro?

É o circulo que encerra o todo.

 

O círculo é a proto - síntese cósmica. Amor e Sabedoria. É os quatro pilares do ponto. Síntese relígio - científica = Lei

O quadrado está associado aos 4 elementos da natureza; ao equilíbrio vibratório, ao equilíbrio karmico. É também a base dos 4 pilares do conhecimento UNO = Religião, Ciência, Filosofia e Arte.

O círculo é o máximo da década. É o símbolo da Lei. É o número da realização, estando associado aos MISTÉRIOS SUPERIORES. p (pi) é o círculo e quadrado = a Lei

 

 

Fernando Ozanan De Franceschi

Dezembro de 2003.

 

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